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Colheita

Grupo estuda formas de reduzir dores musculares de trabalhadores do café

GEP, do IFSULDEMINAS- Campus Muzambinho estudou os movimentos realizados por trabalhadores rurais durante a colheita de café.

Postado em 21/05/2020 às 13:40

Grupo de estudos pesquisou os efeitos dos movimentos da colheita no corpo dos trabalhadores rurais. (Foto: IFSULDEMINAS)

Em períodos de colheita cafeeira é comum que os trabalhadores se queixem de dores musculares que podem, de acordo com a gravidade do problema, levar o funcionário até mesmo a se ausentar do trabalho. Pensando nisso, o Grupo de Estudos e Pesquisas em Ciências da Saúde (GEP-CS) do Campus Muzambinho analisou o movimento de trabalhadores e seus esforços na colheita, para determinar formas adequadas de prevenir ou amenizar essas dores.

O artigo “Atividade eletromiográfica dos músculos abdominal e paravertebral durante a colheita de café” foi publicado na Revista Brasileira de Medicina do Esporte (RBME) – Vol. 26, Nº 3 – Mai/Jun de 2020. 

A pesquisa considerou que os trabalhadores da colheita cafeeira realizam atividades físicas de grande impacto que podem comprometer sua musculatura. Segundo um dos autores, Edmar Lima, o objetivo foi verificar a musculatura paravertebral lombar e reto abdominal dos trabalhadores rurais durante a colheita de café. “Ao considerarmos os trabalhadores da colheita como verdadeiros atletas é fundamental que eles tenham condições musculares para terem rendimento e não manifestem doenças ocupacionais durante suas atividades”. 

Para tanto foram realizados testes de eletromiografia (que avalia a função e atividade muscular) nos trabalhadores enquanto utilizavam a derriçadeira manual, em diferentes bases de apoio para os pés (inclinado, declinado e horizontal). 

A ideia da pesquisa surgiu no grupo de estudos, formado pelos alunos e autores do artigo Edmar de Lima e Thiago Oliveira Santos, orientados pelos professores Fabiano Fernandes da Silva, Wonder Passoni Higino e Renato Aparecido de Souza. Grupo no qual os alunos foram instigados a produzir pesquisas voltadas para os trabalhadores da colheita de café, uma vez que essa atividade é muito importante para o contexto social e econômico de inúmeras regiões do brasil e do mundo, especialmente do sul de Minas Gerais. 

Renato Aparecido de Souza, destacou que "trata-se de um estudo pioneiro na área da fisiologia do exercício e treinamento físico que articula um inovação para profissionais da educação física em arranjos produtivos locais. Novamente fazendo uma comparação dos trabalhadores com atletas, quem sabe em algum momento os produtores não façam uma pré-temporada com protocolos de fortalecimento muscular específicos com essas pessoas para não somente preservar/aumentar a saúde delas, mas também melhorar os resultados da colheita".  

Thiago Oliveira Santos citou que a pesquisa “veio para trazer mais qualidade de vida para os trabalhadores na colheita do café. A intenção é auxiliar esses trabalhadores para que possam aumentar seu rendimento sem causar danos a saúde. Dessa maneira, nossa pesquisa busca melhorias para a saúde do trabalhador e para a economia local, que é baseada na agricultura com ênfase na cultura do café”. 

Segundo Edmar Lima, durante suas análises os pesquisadores concluíram que deveriam “avaliar os músculos relacionados a postura, pois uma queixa comum dos trabalhadores é a dor nas costas”. Tal questionamento levantou duas hipóteses: de que a dor nas costas seria mais frequente devido ao grande esforço ao qual a região é submetida; ou que tal dor seria frequente devido à fraqueza abdominal relacionada a uma diminuição da estabilidade lombar. 

A pesquisa foi realizada com trabalhadores rurais de Muzambinho, do sexo masculino, nos quais foram efetuados todos os procedimentos e rotinas eletromiográficas durante a realização de movimentos usuais da colheita do café. 

Com tais testes os pesquisadores concluíram que os músculos paravertebrais apresentam maior ativação eletromiográfica em comparação aos retos abdominais. Segundo Edmar, essa informação pode servir como orientação de prevenção para os trabalhadores, uma vez que poderão realizar protocolos de fortalecimento para músculos de sustentação da coluna para evitar a dor. 

Questionado se há alguma forma dos produtores rurais orientarem seus trabalhadores quanto à necessidade do preparo físico, Edmar respondeu que “A ginástica laboral é uma alternativa para cuidar da saúde e manter a jornada de trabalho mais salubre, sendo uma opção que pode ser aplicada no âmbito rural trazendo resultados significativos para o patrão e empregados. Fortalecer os músculos posturais pode diminuir a probabilidade de desenvolver lombalgias por conta da atividade laboral. Dedicar um pouco mais de atenção a musculatura paravertebral (lombar) é uma opção sensata que pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, visto que esse músculo não costuma ser estimulado como deveria”. 

Thiago Oliveira Santos destacou ainda que “os dados encontrados no estudo mostram que gestos simples, como fortalecer a musculatura paravertebral, podem gerar impactos positivos na colheita com uso da derriçadeira manual, visto que uma musculatura forte e saudável tem menos chances de fadigar durante a atividade laboral”. 

É importante ressaltar que a falta de conscientização sobre essas sobrecargas musculares interfere no rendimento do profissional. Segundo Edmar, o trabalhador pode diminuir seu rendimento de colheita e, consequentemente seus ganhos, uma vez que muitos recebem por produção. “As dores lombares podem impedir o trabalhador de explorar todo seu potencial ou até mesmo fazer com que ele se ausente, o que acaba não sendo algo bom tanto para o trabalhador como para o próprio produtor, pois pode aumentar os casos de afastamento do trabalho”. 

A pesquisa contou com o suporte financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG - APQ-01917- 14), e da infraestrutura e logística do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais - Campus Muzambinho. 

Edmar destacou ainda todo apoio e engajamento dos orientadores que “não hesitaram, sempre nos estimularam a fazer diferente e que se dedicaram muito para que esse artigo fosse concluído. Sempre nos preocupamos em usar nosso conhecimento em prol da comunidade local, que tem sua economia baseada na agricultura. Quando surgiu a oportunidade de pesquisar sobre o trabalho nas lavouras, não hesitamos. Frente aos inúmeros problemas que enfrentamos, contamos com ótimas pessoas para nos apoiar. Devemos sempre nos preocupar com nossa comunidade, contribuindo da melhor maneira possível para melhorar a qualidade de vida de todos”. 

O artigo completo pode ser acessado neste link.

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